sábado, 22 de janeiro de 2011

Suruba Mediterrânea

foto: divulgação

Está em cartaz em São Paulo e Rio de Janeiro desde 14/01/2011 a comédia espanhola Dieta Mediterrânea que conta a estória de Sofia que cresceu no restaurante de seus pais numa cidadezinha da Espanha e se transforme numa grande chef.  Determinada e ambiciosa, Sofia se envolve num triângulo amoroso com um homem certinho (seu marido) e outro ardente (seu amante).


foto: divulgação

O filme mostra de forma ágil e divertida cerca de quarenta anos da vida do trio, sempre entre fogões, pratos e criações gastronômicas.  Como nos dramalhões folhetinescos, Sofia ora larga o marido e filhos para ser chef no restaurante de um hotel de alto luxo e se jogar nos braços do amante que é também seu agente e a apresenta para o mundo da alta gastronomia.  Ora decide volta para os braços do certinho e tocar sua vida na cidadezinha onde nasceu, até que, insatisfeita com a situação, propõe uma relação a três, que extrapola o lado profissional.

foto: divulgação

O filme ainda nos surpreende pelas aparições de chefs internacionais estrelados como Ferran Adrià do El Bulli da Espanha.

Bem recebido pelo público mundo afora, o filme é de 2009 e conta com os atores Olivia Molina (Sofia), Paco León (Toni) e Alfonso Bassave (Frank). A direção ficou por conta do fabuloso Joaquín Oristrell (do longa Entre as Pernas, 1999).

Está em cartaz nos Frei Caneca Unibanco 4 e Reserva Cultural 3.
Duração: 102 minutos.
Censura: 16 anos.


Na saída da sessão uma surpresa saborosa: um panino bacana da Pain de France.  Caiu muito bem depois de tantas cenas de dar água na boca.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Ao vencedor as batatas*

Nas minhas andanças pelos supermercados tenho visto muitas novidades interessantes.  Esta é mais uma que eu gostaria de dividir com vocês: mini batatas americanas, um mix de batatas branca, rosa e preta.


No primeiro momento parece estranho, mas eu garanto que o sabor é muito bom. As batatas claras e rosadas são comuns para nós, mas a preta é um tanto quanto bizarra. Mas deixando de lado as primeiras impressões, vale a pena experimentar.


Estas eu preparei com azeite, sal grosso e alecrim fresco. Tudo a gosto e sem medidas.  Levei ao forno pré-aquecido a 200ºC até ficarem douradinhas.  Levou mais ou menos uns 25 minutos. Simples e fácil, não há quem não resista a esta delícia.

Sugiro servir com uma carne assada. E depois é só correr para os elogios.


Após assada a batata preta revelou-se numa cor roxa acentuada lembrando doce de batata roxa.  Mas o sabor não tinha nada de doce.

Estas batatas servem de sugestão para as crianças, pelo tamanho e pelo colorido.

(*) trecho do livro "Quincas Borba" de Machado de Assis.

Nota: não se esqueçam que as batatas devem ser higienizadas antes da utilização.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Refrigerecos Cult


Adoro novidades, ainda mais quando são comestíveis.  Outro dia fui ao supermercado e fiquei super feliz ao encontrar refrigerantes que costumava beber quando criança.  Talvez, hoje seriam considerados “refrigerecos”, mas pela estratégia adotada pelas empresas que tem os direitos sobre as marcas, eles ressurgem com o status de “refrigerante cult”.

Desde o ano passado a Schincariol está comercializando a Itubaína.  É isso mesmo, aquele refrigerante que era vendido em garrafa de cerveja nas décadas de 70 e 80.  Revestida numa atmosfera saudosista a empresa criou toda uma estratégia de marketing para o lançamento do produto e sua divulgação.  O público alvo são os jovens e a turminha na faixa dos 40 anos que consumia o produto quando criança.  Vale visitar o site criado exclusivamente para o refrigerante (http://www.itubainaretro.com.br/) recheado de curiosidades de hoje e de ontem.

E eu que adoro uma novidade com jeitão de retro não poderia de deixar de recomendar – o refrigerante e o site.

A Schincariol garante que bares, restaurantes, super e hipermercados terão o produto para comercialização normal.  Estes eu encontrei no Supermercado Pão de Açúcar por R$ 1,60 a garrafa.

Já a Soda Limonada Galeguinha é daquelas que faz a gente viajar para o interior do Brasil em cada gole.  No Pão de Açúcar a garrafa de 600ml está por R$ 1,70.

Agora é só torcer para passar um daqueles filminhos antigos na Sessão da Tarde, e fazer uma pipoquinha que vai tudo muito bem com Itubaína ou Galeguinha. Tem coisa melhor do que sabor de infância?


Imagem do filme “A Fantástica Fábrica de Chocolates” (“Willy Wonka and the Chocolate Factory, 1971).

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Um bolo de lama para Amy não chorar mais chão da cozinha


Amy Winehouse nunca foi santinha, como ela mesma admite na música “You know I’m no good”. Na canção, ela diz ter traído o namorado e se arrependido – no clip da música aparece chorando no chão da cozinha pela desilusão amorosa.


Run out to meet you, chips and pitta
You say we'll marry 'cause you're not bitter
There'll be none of him no more
I cried for you on the kitchen floor


Para situações onde se percebe que se colocou o pé na jaca e não tem mais jeito e que a tristeza bateu fundo, corra para o chocolate.

Segundo estudos o chocolate proporciona grandes sensações de prazer graças à metilxantina, uma substância encontrada no chocolate e que traz sensações de bem-estar parecidas, mas em escala bem menor, que a Cannabis sativa. Isso pode ser uma saída para outro problema da cantora: as drogas.

Outra ação causada pelo consumo de chocolate é o bem-estar, devido ao aumento da produção de fenilfetilamina (um tipo de endorfina que proporciona prazer).

E já que é para fazer um tratamento intensivo para desilusões amorosas, nada melhor do que um mudcake – o famoso bolo de lama da culinária norte-americana.

A receita é do livro “Conversa chegou à cozinha – crônicas e receitas” de Rita Lobo. A leitura deste livro vale não só pelas receitas, mas também pelas crônicas escritas de forma leve.


Então vamos lá, coloque uma música, que pode ser da própria Amy, e vá para a cozinha preparar esta delícia.


Mudcake

Ingredientes da massa:


Raspas da casca de 1 limão
4 ovos
120g de manteiga
1 ¼ de xícara (chá) de açúcar
2 colheres (sopa) de farinha de trigo
2 colheres (sopa) de vinho do Porto
200g de chocolate em pó
1 pitada de sal
Manteiga e farinha de trigo para untar e polvilhar

Modo de preparo:
Pré aqueça o forno a 180º graus. Unte uma assadeira retangular (35 x 25 cm) ou redonda (30 cm) com manteiga e polvilhe com farinha de trigo. Reserve.
Derreta a manteiga no microondas ou em banho-maria.
Bata as claras em neve até formar picos firmes, transfira para outra vasilha e reserve. Sem lavar a tigela e a pá da batedeira, bata as gemas e o açúcar até obter uma gemada clara. Junte a farinha de trigo, o vinho do Porto, as raspas de limão e a pitada de sal.. Desligue a batedeira e adicione o chocolate em pó e a manteiga derretida e mexa com uma colher ou fouet. Junte metade das claras em neve, mexa bem. Volte a mistura à batedeira e bata até obter uma mistura lisa. Desligue novamente a batedeira e incorpore o restante das claras em neve, misturando com uma colher ou um fouet.
Transfira a mistura para a assadeira e leve ao forno para assar por 20 minutos. Faça o teste do palito na hora de tirar o bolo, ele deve sair limpo, caso contrário, deixe assar por mais alguns minutos.

Ingredientes para cobertura:
1 lata de creme de leite
1 xícara (chá) de chocolate em pó
1 colher (chá) de essência de baunilha

Modo de preparo:
Misture todos os ingredientes em uma panela e leve ao fogo baixo, mexendo sempre até esquentar sem deixar ferver.
Cubra o bolo com esta cobertura assim que sair do forno.


Sirva à temperatura ambiente acompanhado de sorvete de creme.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Meu ano gourmet - Retrô 2010

Entrando no clima de balanço de final de ano, resolvi fazer uma retrospectiva das coisas boas que me aconteceram:  tomei coragem e comecei a estudar gastronomia numa universidade séria,  conheci muita gente legal que curte cozinhar como eu,  percebi que minha vida é realmente numa cozinha, e por aí vai.

Então vamos lá,  as dez melhores do ano de 2010:

1º) Entrar para o curso de gastronomia - indiscutivelmente foi a melhor decisão que já tomei na minha vida.  A escola é excelente e o corpo docente é de alto nível.

2º) Ter tido aulas com um super mestre:  Daniel Frenda (ou Rock Balboa ou Ronaldo Nazário ou Paul McCartney, segundo o próprio).  Além de um grande conhecedor da gastronomia e dos segredos culinários (em particular da italiana), um cara para se ter como amigo por toda a vida.  Tudo bem que ele odeia que digam que tem um programa culinário na internet (para quem quiser ver:  http://www.vamoscozinhar.com.br/).


Fotos: César Abe, 2010.

3º) Ter trabalhado na equipe que preparou o almoço para o Tony Blair (ex primeiro ministro da Inglaterra) em visita a São Paulo.  Melhor ainda ter trabalhado na equipe da finalização dos pratos.  Uma grande experiência com muitos aprendizados.


Fotos: César Abe, 2010.

4º) A primeira sauteuse ninguém esquece.  Acho que nem preciso falar da felicidade que senti quando comprei minha sauteuse.  Realmente foi indescritível.
5º) Descobrir um restaurante para chamar de seu ... preferido, melhor dizendo.  Sem dúvida nenhum dentre todos os restaurantes que conheci em 2010, o NOU foi o melhor.  Em termos de comida, atendimento e cordialidade são excelentes e torço muito para continuem assim, ou melhor. E ter conhecido restaurantes e cozinhas extraordinárias - só para citar alguns: ROCKPOOL e THE SPICE TEMPLE em Sydney, um super sofisticado e um menu degustação incrível, o outro despretencioso e chic ao mesmo tempo;  os sabores e aromas de FIJI ISLAND; e a genialidade e simplicidade do chef William Ribeiro do restaurante O POTE DO REI.







6º) Descobrir um novo sabor de milk-shake.  Quem me conhece bem sabe que sou tarado por Nutella – aquele creme de avelã e chocolate feito pela Ferrero – e apaixonado pelo milk-shake de Nutella do Prime Burger.  Por anos este foi o meu preferido, até descobrir o sabor do novo milk-shake da Lanchonete da Cidade – Iogurte Diletto com Frutas.  Uma mistura refrescante do azedinho gelado do iogurte com o frescor da fruta natural (que podem ser manga, kiwi, limão siciliano, frutas vermelhas e abacaxi).  Super recomendo!



7º) Ter ganhado um zester descente (também conhecido como microplane).


8º) Ter conhecido pessoas que são apaixonados por culinária tanto quanto eu.  Pessoas estas que conquistaram um espaço no meu coração e podem ter certeza que terão o meu respeito e admiração sempre. É isso mesmo, a turma GAS-NA1 da Universidade Anhembi Morumbi.

Foto: César Abe, 2010.

9º) Ter planejado, organizado e executado um almoço para 30 pessoas – o almoço de Natal dos meus amigos.  Pondo em prática alguns dos conhecimentos adquiridos ao longo do último semestre,  acredito ter feito um dos melhores eventos da minha vida.  Tudo saiu conforme planejado e creio que os convidados também gostaram do resultado.  Sucesso total!

10º) Descobrir que o meu destino é cozinhar.  Que a minha felicidade está no meio dos livros culinários e das panelas.  Vocês conhecem aquela máxima: nato per cucinare? Pois então, carrego isso comigo! Para sempre!

Foto: César Abe, 2010.

Feliz 2011 para todos e que o ano novo seja muito saboroso e cheio de novas descobertas.


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Natal assado em família

Sempre gostei das festas de final de ano. As pessoas ficam mais sensíveis e amigáveis. E no ar paira um clima de cordialidade. Tudo fica bonito.

Esse ano não poderia ser diferente, resolvi ir para a cozinha e preparar a ceia de Natal da família. Já tinha feito isso no ano passado, mas este ano foi diferente mesmo. A coisa pareceu-me mais profissional.

O cardápio foi pensado em unir o aprendizado do semestre com o frescor dos produtos da terra.

Para as entradinhas (aqui chamados de appetizers só para ficar mais chic!) um trio de queijos: um gorgonzola italiano legítimo, um camembert assado ao forno com mel e pistaches e um delicado queijo de cabra envolto em nozes. Só para completar a bossa: azeite extra-virgem com alecrim e grãos de pimenta, grissini com parmesão e pão sueco.

 
A salada foi bem simples: folhas baby de alface – lisa, roxa e romana – e rúcula precoce com um emulsão aveludada de azeite, aceto balsâmico, sal e pimenta do reino.

O prato principal o grande astro o Pernil (que tomou o lugar do Peru que dominou por muitos anos a mesa dos Galluzzi). É indescritível o prazer que senti ao ver a carne douradinha do pernil. Pra ser sincero (e olha que sou super confiante no que faço e me proponho a fazer) fiquei um pouco receoso ao ter decidido assar pernil. Primeiro por que exagerei no tamanho – 7,7 kg – e depois pelo tempo que demoraria no forno – segundo a lenda, uma hora para cada quilo. Mas no fim tudo deu certo e foi só sucesso.

 
O assado ficou tenro e bem temperadinho. Depois de dois marinando na geladeira não há tempero que não penetre na carne. Era possível sentir o sabor dos temperos da marinada no centro do pernil. 

 
Os acompanhamentos foram: duo de purês (um de batata doce amarela e outra de batata doce roxa), cebolas carameladas no mel, farofa de figo, damasco e sálvia frita, batatas coradas com alecrim e sal grosso e um arroz pilaf para arrematar. Nesse quesito devo confessar que era muito doce para pouco salgado.

 
Para sobremesa escolhi duas infalíveis: um mousse de chocolate amargo e uma panna cotta com macedônia de frutas frescas e pralinê de castanha do Pará, ambas servidas em copinhos de cachaça.


Meu dia de Julie Powell

É tão bom receber os amigos em casa. Colocar o papo em dia e relaxar com um bom vinho. E quando se recebe amigos de tão longe não podemos economizar no cardápio. Não digo em gastar fábulas servindo caviar, trufas ou outras iguarias tão caras que chegam a ser indigestas! O que quero dizer é que receba bem, oferecendo algo que não se faz no dia-a-dia, algo que foge do trivial.

Inspirado pelo delicioso filme Julie & Julia, resolvi fazer um Boeuf Bourguignon. Mas não podia ser qualquer um, tinha que ser uma receita original francesa. Pesquisei bastante até chegar à que fiz para este jantar. E tenho que dizer, ficou simplesmente uma delícia. Foi o melhor Boeuf Bourguignon que eu já comi.

Para começar queijo camembert assado com mel e pistaches, queijo Boursin com ervas de Provence, azeite de oliva extra-virgem com alecrim e pimenta rosa acompanhados de baguetes.



Salada de Verdes - apenas folhas verdes com emulsão de azeite extra-virgem com aceto balsâmico de Modena, pimenta do reino moída na hora e sal. Simples para não ofuscar o rei da noite.


O principal – Boeuf Bourguignon – carne em cubos médios e cenouras tenras acompanhados de cebolinhas carameladas e o verdadeiro purê de batatas francês.

 
O segredo do bom Boeuf Bourguignon é deixá-lo marinando no vinho tinto (Bourguignon, claro!) e em uma mistura de ervas por 24 horas. E o cozimento durou cerca de duas horas e meia. Um prato que, ao mesmo tempo em que é simples, requer alguns cuidados para ficar na perfeição. E muito cuidado para não acontecer o mesmo que ocorreu com a Julie Powell, esquecer a panela no fogo e acabar queimando, perdendo todo o trabalho feito.


Para encerrar o jantar uma sobremesa francesa bem famosa: um Créme Brullé.  Para fazer um charme e dar um ar de diferente o recheio foi doce de leite.  Com o auxílio de um maçarico culinário foi feito o dourado com açúcar refinado.  A bossa fica por conta dos morangos frescos, folhas de hortelã e um pedaço de caramelo.


Um bom vinho e uma boa trilha musical foram os excelentes coadjuvantes deste jantar entre amigos.